quinta-feira, julho 21, 2005

Tempestade

No meio de algas e "desalgas" o atum parou para descansar. De tão longa viagem a sua memória não se lembrara.

Confuso....e sono.. é melhor se calhar.. porventura... talvez...

DESISTIR

Foram breve os minutos de desistência, quando a tempestade interrompeu o sabor do sonho da tranquilidade. O pior era saber de onde partiam as tormentas. Esquecendo as neves o atum partiu à procura do centro do tornado perfeito.

domingo, julho 03, 2005

Vira-te

Do outro lado do mar não havia algo que se pudesse chamar de verde. Nos altos mares a côr azul era algo que não se poderia imaginar. A minha pobre vida de atum era fraca em adjectivos, mas a final prova de amor de um atum estava para vir.
Guarnecido de energia o atum virou-se contra a corrente, pobre espirito ganhador. Adeus corta tudo.. Adeus tudo.... Adeus corrente...Adeus belos dias... Adeus um bela tarde... Adeus uma linda noite... Adeus a tudo e todos.... Vamos atum... vira as tuas barbatanas contra todos os peixes e vamos contra a corrente.. Nós iremos chegar lá...

domingo, junho 19, 2005

Perguntas

No meio da rocha que dividia os mares havia muitos peixes, a temperatura da água era amena e o número de algas era o suficiente. Enfim, a casa ideal para o atum. Mas algo estava mal. Por isso é que o atum parou para pensar. Algas? Neves frias? Rocha que divide os mares? Para alguma resposta ele tinha que se dirigir, mas ali não iria ficar com toda a certeza.

quarta-feira, junho 15, 2005

Stop

Lá em cima vários vultos que pareciam gaivotas voavam graciosamente. As sombras faziam-se sentir nos raios luminosos que trespassavam as águas. Tanta intermitência de luz confundiu o atum que ainda estava sobre os efeitos das algas que tinha encontrado há pouco.

Cedo ele se perdeu naquela zona do mar que pensava que conhecia tão bem com as escamas das suas barbatanas. Perdido, parou. Parou de nadar. Todos os peixes em redor olharam.. Como é possível um peixe parar de nadar? Mas parou. Finalmente parou para pensar...

domingo, maio 29, 2005

Neve

Neve... Será que um atum pode chegar à neve?
Certo que na neve poucas algas haverão...

A corrente começou a perder velocidade perto do rochedo que divide os mares. Cedo o atum saiu para esticar as escamas. A viagem na corrente foi agradável mas, no entanto, foi um pouco comprida. Sequioso por algas vivas, o atum nadou, e não chegou a cair a noite naquela parte que divide os mares, já ele as tinha encontrado.

Depois do enorme frenezim, sonhou com as frias neves, que tanto os salmões falavam. O seu desejo era um dia ir para as frias neves, onde tudo é branco e montanhoso. Mas o medo apoderava-se quando pensava que nas frias neves não existiam algas luminosas.

A rocha que dividia os mares começou também a dividir o pequeno coração do atum..

domingo, maio 22, 2005

A foz..

E, como se a boca fosse um farol absorvido, o gosto das algas voltou...
O rodopiar de escamas foi inútel perante a absorvência do ambiente envolvente. O ecoar das sombras marítimas foi demasiado forte para o nosso atum. Os olhos pareciam duas escamas pouco imponentes para o que se iria seguir. De forma sentida, o atum olhou para as algas e disse.. "Mais uma trinca e vou-me embora".. Mais forte foi o olhar que a dentada, e os seus olhos absorveram-se na solidão do mar. Quais águas frias, qual ambiente ameno, as correntes corriam do Norte naquela altura. E o tempo não era para algas.

-Eih! Espera aí Cortarrentes! - Gritava o nosso amigo atum debaixa de uma sombra que perfazia o seu corpo em vinte vezes.
- Atum!!! Já te disse que é impossível te transportar comigo. Já te tinha devorado há muito tempo se não fosse o teu pai. Portanto, não queiras fazer coisas que para mim são impossíveis.

Raramente o atum falava com o senhor do mar, mas naquela altura, ele tinha uma carta na manga - as algas. O tubarão era enorme, branco a fazer lembrar a neve que o atum nunca vira. Só os salmões tinham falado nela uma vez. "Água branca!!" gritavam. De verdade os salmões não eram muito espertos. Já desde cedo o atum borbulhava para eles: - Porque não dizem a elas para não subirem o rio? De facto, eles responderam: - Assim não dava tanto prazer!!

Cedo o atum percebeu que é preciso subir o rio para ver a foz.

terça-feira, maio 17, 2005

As batidas

O atum olhou para todos os lados assustado por aquele ecoar de batidas profundas. O som não era assustador mas sentia-se a turbulência nas águas à medida que aquele tambor oculto batia. Uma sensação enorme de poder e de felicidade apoderou-se do atum. O mar parecia ofuscado pelas batidas e as amigas da sua espécie pareciam muito mais apelativas. Nadou um pouco mais para cima para se juntar a um cardume de atuns que passava com alguma velocidade. "Realmente estas algas são extraordinárias", pensou.

Num rodopiar de efervescência, ocorreu um pleno despertar de prazer. Peixes que se encontram e recordam o que a mãe natureza lhes definiu como objectivo primordial. Várias escamas velhas se soltaram dos seus corpos de atum, dando lugar a outras mais jovens. O som de fundo tornou-se mais forte e acabou por desaparecer tal como o atum.

O atum acordou (sim, porque os atuns também dormem) ao lado de uma pequena rocha vermelha, sem muitas recordações dos tempos que passou. "Malditas algas!" balbuciou, enquanto apertava a sua barbatana contra a cabeça dorida. O som de fundo não se ouvia, e as águas pareciam ainda mais frias do que no dia anterior.